Entrevista com a Mestra Nega Uara – Grupo Senzala

Photo by Sofie Hajenius

Já de pequena Alessandra, também conhecida como Mestra Nega, começou a mostrar esse gran caráter e fortaleza. 

Quem se não a Nega ousaria dar aulas de capoeira em uma favela aos só 12 anos de idade?

Adrenalina pura e um coração gigante conseguiram que toda a comunidade adorasse ela. Ela viaja pelo mundo inteiro para compartilhar os conhecimentos aprendidos no tempo que passou com a sua familia e com o mestre Peixinho.

Entrevista com a Mestra Nega Uara – Junho 2017 Barcelona

(Nota: a entrevista foi feita quando ela era ainda Contra Mestra. Foi formada Mestra umos meses depois.)

Como e quando você chegou na Capoeira?

Eu cheguei na Capoeira no 86 eu acho, comecei com 7 anos de idade. Comecei tarde na verdade, eu tenho 30 anos de capoeira, sou CM de Capoeira. Meu nome é Alessandra e o apelido Nega vem através duma amiga mia do Rio de Janeiro, a Loba, que é uma CM também do Grupo Senzala muito forte. Hoje ela está um pouco afastada da Capoeira, foi ela quem me deu esse sobrenome, pq eu era a única Negra do Grupo Senzala.

Minha família é capoeirista, a minha Mãe, meu Pai, que a história vem através do meu pai, que foi um homem da Capoeira,. Quando ele morreu minha mãe continuo treinando.

Eu sou a terceira geração de capoeiristas da minha família. A primeira foram os meus pais, depois os meus irmãos e a terceira, Eu. O maior presente é ter nascido dentro desta família e se eu morrer e me pedem onde voltar, eu quero voltar nessa mesma familia, uma familia com muita história e pessoas muito fortes.

Na parte do meu Pai a turma era do Candomblé. Eu estou na estrada da Capoeira desde menina dando aulas de Capoeira desde os 12 anos nas favelas. Trabalhei com criança com discapacidade, fiz alguns cursos de especialização para poder ir melhorando no que eu estava fazendo. Construi um trabalho muito bonito em Brasil com as crianças das favelas mas também com crianças que tinham uma classe um pouco mais alta.

Em 2007 foi quando eu vim pela primeira vez aqui na Europa, para os 20 anos do Grupo Senzala. Eu rodei 9 países e quando voltei para o Brasil todo o mundo me falou que tinha que voltar para a Europa. Voltei em 2008, e foi quando eu fiquei, encontrei o meu marido, casei e vim ser uma mulher de casa né (dá risada).

Quando cheguei fiz também a minha associação para desenvolver o meu trabalho que já tem 7 anos, eu viajo todos os finais de semana e fico feliz da Capoeira me aceitar, e do meus amigos capoeiristas também me aceitar porque é difícil para uma mulher.

Eles tem essa aceitação de ficar levando a mulher nos eventos, de botar a mulher em meio deles contar aquelas histórias cabeludas mais para mim é normal, é muito engraçado. Eu vejo quando viajo que não tem mulher, nossa cadè as meninas! É uma batalha do dia a dia a Capoeira até você entender o que ela é, ja é uma evolução.

Quando você entende porque você quer aprender Capoeira já gera outra coisa e quando você fala, agora eu sou Capoeirista já é uma outra evolução. A Capoeira são várias etapas. Se você tratar a Capoeira com carinho ela vai te tratar com carinho, do jeito que você trata ela, ela vai te tratar.

É muito difícil para a mulher, eu acho assim, mais não é impossível. Se o dificil te para, imagine o impossível. Eu acho que a vida é uma guerra de todo o dia, acordar é um presente, dormir é um outro presente, a vida é momentos, você vai passando, evoluindo, o seu lado espiritual vai evoluindo, e a Capoeira é uma evolução também.

É uma evolução infinita porque você morre e não aprendeu nada. Fico feliz por essa quantidade de mulher que hoje tem a Capoeira, aqui na Europa tem muita mulher, eu acho que essa diferença da capoeira da Europa mudou muito a capoeira do Brasil.

A forma dos Mestres ver também porque a mulher tem que treinar igual ao homem , a mulher tem que fazer tudo igual ao homem, a mulher quer igualdade mas é verdade que a mulher tem um sexo mais frágil e não toda mulher vai ter estrutura para entrar na rua e brigar, tem mulher que é intelectual ela não é porrada, acho que isso modificou bastante a Capoeira e até a forma dos Mestres pensar porque chegou tanta mulher que foi: e agora que vamos fazer com essas mulheres? Vamos graduar!

Porque de qualquer forma elas não vão ir embora da academia mesmo sem graduar. Para uma mulher ser formada, porque Mestre eu acho que são os antigos que fizeram, a primeira linha, que fizeram essa história acontecer. O que eu acho muito triste eu vim duma família de capoeiristas então tenho outra visão da capoeira. Hoje a capoeira cresceu tanto que a galera não está mais respeitando ela, o benefício da capoeira, as pessoas estão passando por encima de isso e é triste para a gente que defende essa história, gente que busca conhecimento e ver essas pessoas que até tem corda de professor, de Contra Mestre que acham que são os donos da capoeira, os donos do mundo.

O a mulher mesmo que quando chega numa graduação mais elevada ela acha que os alunos não tem que estar bem perto delas que cada um tem o seu espaço… eu não sou a favor disso. Está todo o mundo numa busca e assim quando eu tinha dificuldades para aprender e as pessoas me jogavam de lado quando eu tanto queria aprender, é chato, eu não gosto dessa indiferença para os alunos, somos todos iguais a gente sente os mesmos dores, vive a mesma história, de uma forma diferente mas vivemos a mesma história, cada um no seu ciclo. Eu acho que essa diferença o preto, o branco, a capoeira angola a capoeira regional… imagina se todos fossem iguais, seria muito ruim, somos uma sola palavra: Capoeira.

A Capoeira não tem raça, não tem cor, a gente está defendendo uma ancestralidade e a gente tem que defender isso com força, com sabedoria, com inteligência,. Não mudar quando um está mais avançado nessa caminhada, essa mudança é muito ruim, algumas mudanças mudam a tua vida para melhor. A Capoeira ela é muito mais do que jogo, muito mais do que um berimbau tocando, muito mais do que todas essas histórias que a gente conta, é uma corrente forte espiritual.

Contra Mestre de capoeira ao final é só um título, aí você pensa: nossa ta tudo ficando ainda mais difícil! E quando você se forma Mestre em verdade você só ta iniciando ,ta começando tudo de novo. Eu sou Capoeirista, eu vivo da Capoeira, eu viajo com a Capoeira todo final de semana, a comunidade da Capoeira me aceitou, que é o mais difícil.

Você pode ser um capoeirista bom pra caramba, jogador, cantador mas se a comunidade não te aceita… . espero nunca mudar o que eu sou, eu quero estudar capoeira ela me estudou até agora. Eu quero saber como foram as mulheres que fizeram parte dessa história eu não estou aqui por acaso. Tem muitas mulheres que formaram lenda naquela época, entendeu, no tempo de Bimba, de Pastinha existiam mulheres também e eu quero entrar nessa busca e procurar estudar mais essa história para ter mais sabedoria saber de onde é a minha raiz. De onde vem a raiz dessa estrutura familiar e isso é importante. A capoeira é maravilhosa.

É o ar que você respira, é a água que você bebe a comida que você come, todo dia uma emoção nova, você sai para dar a aula e quando não ta ligada muda tudo na hora, e a natureza uma coisa linda com beleza infinita que você não consegue traduzir. Não tem tradução.

Como foi começar a dar aula tão jovem?

Na verdade eu sempre fui líder, hoje eu vejo isso.

Nasci para ser líder não pra ser liderada.

A primeira apresentação de Capoeira foi na Escola, botei um monte de gente lá pra fazer perguntando todo a minha mãe e ela me perguntando: mais como vai apresentar uma coisa que você não sabe, e eu falei: eu sei sim!. Apresentei e foi um sucesso, e quando comecei a dar aula na favela era um projeto, CJ, um projeto das crianças carentes.

Era uma igreja evangélica que tinha desenhos, arte, muita coisa para as crianças e passavam depois da escola. A turma de manhã e a turma da tarde, quando eu fui pra dar aula elas já jogavam capoeira e eram muito mais fortes que eu.

Mais foi muito bacana como experiência na minha vida porque eu não sabia se era direito o não mais foi abrindo a minha cabeça; lembro um dia que falei oi vocês querem um berimbau? Sim! Então vamos no mato tirar a madeira para fazer o nosso berimbau.

Os moleques foram levando as madeiras pro local. Eu nunca tinha feito um berimbau porque eu sou uma pessoa que não sou muito manual ,sou mais do treino que da manualidade.

Para mim foi uma experiência maravilhosa, um conhecimento muito bom pros meus alunos. Eu chegava e a favela inteira me conhecia, eu era uma menina. Eu comecei a dar aula e nunca mais parei até hoje. Eu vivi minha vida inteira na capoeira, me dedique a vida inteira.

Eu fico vendo o meu cv e não acredito em todos os lugares onde eu dei aula, e sou nova ainda, mais eu comecei nova e foi precoce. Vão trocar minha graduação quando seja velha de idade? Eu vi agora que para mim o importante é estar na história, estar fazendo parte de essa história, o resto é ego. A gente não precisa nada disso para viver, né do ego nem do status porque quando chega no final da vida você já foi, não leva nada disso junto com você.

Como foi o tempo que você compartilhou com M Peixinho?

Foi muito bom para mim assim porque o mestre Peixinho era um cara muito justo, um Mestre dos Mestres eu acho.

Um cara muito sábio, muita sabedoria e, na verdade, o tempo que eu compartilhei com ele ele foi um cara quem me mostrou muita coisa, me ensinou muita coisa. A única hora que eu consegui aceitar era quando eu era muito agitada, sou muito agitada, agora menos porque a vida é uma correria e eu sou uma líder, e ele não pode passar para a pessoa essa agitação.

Eu tenho que estar calma dar essa confiança para as pessoas. O mestre foi meu pai na verdade, um cara que eu via como o meu pai mesmo, a gente falava de todo e ele me ensinou muita coisa como mulher: Olha Nega, isso você não pode fazer, se você quer passar todas a fronteras, isso e aquilo, você não pode fazer, se não, não vai chegar.

Me botava pra treinar, me chamava a atenção, brigávamos bastante, naquela época era a única pessoa que me entendia. Se eu não gosto de uma pessoa não aguento, e ele me entendia, tinha paciência comigo.

Ta tudo errado Nega, nada que eu fazia era certo para ele mas, eu não entendia. Uma das coisas de eles (os seus irmãos) ir pro grupo Senzala foi essa confiança que o Peixinho deu para eles entrarem no grupo.

Eu fui criada pela minha mãe que foi pai e mãe, e o que acontece no mundo é que as mães são solteiras, mais você conseguir fazer um filho ser alguma coisa em brasil sem ser bandido, sem ser prostituta… é muito difícil da onde que eu vim. Da periferia de um bairro que era farela, minha mãe morria de medo e tinha um lado de ir atrás da gente e para ela foi um alívio conhecer o mestre Peixinho para não ficar volúvel para essa energia.

Nega você pode chegar onde você quer porque tem força de disposição. Se depender de mim eu vou fazer chegar você onde você quer na Capoeira. A chance que você tem é que a su familia é capoeirista, e você não quer aceitar a Capoeira.

Para mim foi difícil a vida, e hoje sou CM de Capoeira. Peixinho foi um grande mestre, na história da Capoeira ele tinha um coração muito grande, ajudava as pessoas.

Quantas vezes eu fui para o Rio de Janeiro porque ele comprou a passagem para mim pro Rio, a primeira vez que eu fui para lá eu tinha 14 anos, sozinha ,peguei a minha mala e fui, cheguei lá e o Peixinho me pegou, me levou para o morro e me falou: a sua história começa hoje.

Agora você vai ter que treinar forte, que tocar.. e o Peixinho nunca me deixou, ele tinha uma boa comigo paterno, um amor paterno, ele me protegia. Era uma pessoa que se entendia.

A gente conversava muita coisa, ele chegava em São Paulo, passava pelo aeroporto e falava: pô vem para cá que eu quero conversar com você, e eu ia, ficava com ele o quando eu ia em Rio ele ficava conversando comigo, a gente ia para playa… ele foi um grande na verdade, ele fez minha história, eu talvez eu não seria quem sou hoje se não fosse por ele. Ele acreditou na minha história.

Tudo aconteceu graças a minha familia mais se eu não tivesse ele me empurrando não tinha chegado até aqui porque sou uma pessoa que desiste muito rápido das coisas, quando começa me encher o saco deixo tudo e isso é o meu pior defeito. Tem muita coisa que eu deixe de lado e o Peixinho ele me tirava de onde que eu estava cada quando eu falava que eu deixava a capoeira.

Ele vinha e me dizia o que precisava de mim, olha tenho um evento e é muito importante, ele para mim é uma pessoa… eu não gosto de falar muito dele porque a gente teve uma reação forte como pai e filho né, Mestre de Capoeira e aluna. Eu quero ser discípulo falei para ele, para isso você tem que seguir aqui.

Ele me mostrou a estrada e me botou na estrada, a relação com ele foi muito forte, eu acho que o amor que eu tive com ele, quando ele partiu antes de ele partir me mandou uma mensagem falando: Nega eu quero falar com você, quando é que vc vem? I eu: não sei Peixinho é complicado não vai dar, ele falou: Vai dar Sim. você tem que vir pro Brasil. Eu fui no mês de Abril o assim ai ele sentou comigo e foi ali que eu entendi qual era o propósito dele comigo, ainda eu não entendia porque ele me enchia tanto o saco, não queria que fosse para favela, não queria que eu bebesse que eu fosse dançar e sempre me queria treinando, e treinar duro.

As vezes quando eu não fazia o que ele queria ele falava assim: quando eu chegava de festa tarde ele me acordava e me dizia agora vamos correr até a outra cidade falei aaaah Deus do céu… e eu saia correndo com ele, quando não era correr era de bicicleta. Quando eu desobedecia as ordens ele sempre fazia assim. Mais do que ele tinha falado então era de dar ordens.

Antes de ele morrer a gente ficou um dia inteiro conversando e foi ali que ele explicou o que ele queria de mim entendeu?,

Nega eu sou muito feliz onde você chegou mas mais de onde você vai chegar.

Ainda nem imagina onde você vai chegar porque você é uma pessoa muito insegura sempre fui, o que você é com as coisas que você tem um monte de ferramentas na mão e você sempre teve a insegurança. O que eu te peço, eu estou partindo dessa vida, mais eu quero que você nunca esqueça o meu nome, nunca pare a minha memória, a foto não vai guardar a intensidade que a gente teve juntos.

Não apague esso na história, mas você não pode ser mais insegura, aquela menininha, não vai chorar não, tem que batalhar, fazer a sua história e dar continuidade de tudo isso comigo o sem mi. Eu queria que você fosse capoeirista e não a mulher do fulano, a irmã do…, uma capoeirista do grupo Senzala que foi o grupo que sou fundador, eu quero que você faça parte desse meio.

Muitas mulheres não chegaram ao que você tem hoje na sua mão, a comunidade ela te adotou você e capoeirista , a comunidade te adotou continua essa história, continua a minha história porque eu não posso mais. Não seja mais menina tem que ser uma mulher.

E várias outras coisas que ele conversou comigo.

Ele queria que eu fosse capoeirista e que eu não desistisse dessa batalha o maior medo dele era essa desistência minha, ele me apreciou muito, foi o meu professor, o meu Mestre, o meu protector, o meu amigo. Ele foi o ícone da minha vida, uma pessoa que, eu tenho muita admiração pela minha mãe mais a admiração que eu tenho por ele é diferente. Os meus irmãos são meus grandes mestres de Capoeira e que fazem parte da minha vida, sou um pedaço deles mas o Peixinho é diferente.

Eu era fascinada por ele o jeito que ele falava, era a única pessoa que podia falar comigo. A única pessoa que podia e conseguia falar comigo, eu era impossivel. Depois ele falou pra mim, você era muito louca, você era muito doida, mas eu entendo que você era uma menina e ele queria me botar como uma mulher ir pra frente…mas esquecia a minha idade também, eu era nova para tudo aquilo.

Mas eu consegui, também mesmo se era nova absorber isso como uma mulher. Uma mulher que tivesse experiência daquilo mas que não tinha. Hoje eu sou estável na minha cabeça e depois que eu tive essa conversa com ele, em verdade, que foi onde eu firmei meu pé na terra, eu vou deixar enraizar, eu vou escutar pelo menos uma vez o conselho dele porque eu não vou ter mas essa pessoa para me aconselhar.

O Peixinho é uma pessoa que me faz falta, porque eu fiquei órfã na verdade. Fiquei órfã duas vezes, porque eu não tinha pai e não conheci o meu pai, e órfã porque a pessoa quem me adotou eu também perdi.

Foi ele o seu Mestre?

Eu considero o Peixinho o meu Mestre, eu considero sim.

Meus mestres são os meus irmãos na verdade, eu comecei com o Flávio e quem está me formando é o Ulisses, eu sou aluna do Ulisses.

Mas eu considero os dois o meu mestre, mas Mestre, né, eu considero o Peixinho com certeza.

Ele foi uma pessoa que me ajudou muito na estrada da Capoeira. Me ajudou muito como mulher, ele me deu todas as armas que eu não tinha na mão, todas as cartas que eu não tinha na mão ele me falou, te estou dando e você vê o que você faz com isso.

Qual seria o seu conselho para um cara que tá começando na Capoeira?

Em verdade é muito difícil quando uma pessoa entra na Capoeira, né? Quem tá iniciando é iniciar, deixar as coisas acontecer. Quando você inicia na Capoeira você nunca sabe se você vai ficar, se você quer isso daí como esporte na sua vida. Em verdade é ver a Capoeira como o bem-estar. Quando você vê a capoeira como o bem-estar você não deixa ela.

O meu conselho para a gente que começa na Capoeira é isso, o seu bem-estar espiritual, mental, o corpo também. As vezes eu também vejo a Capoeira como esporte porque eu preciso de fazer cardio porque eu preciso muito do cardio pra mim, né.

Quando eu vejo as pessoas um pouco acima do peso eu falo, cara, a capoeira ela é boa mesmo para isso, você não vê obesidade na Capoeira. Todo o mundo tá legal, tá bacana e se vê que a capoeira mesmo para a mulher, a mulher fica mais bonita, mais elegante. Muito mais coragem dela.

A capoeira é o espírito de vida, quando você começa a aprender acha as dificuldades. Todo o mundo tem as suas inseguranças, os seus fantasmas, mas quando você vira capoeirista você não fica mais parado.

Você faz com a mão o com a outra, de qualquer jeito você vai fazer! Isso te ajuda fora da capoeira, também te ajuda na sua vida pessoal. Você fala nossa isso é difícil, não existem coisas difíceis para mim, eu vou tentar.

A capoeira tem essa liberdade de expressão, liberdade espiritual, essa coisa mística. As pessoas tem que fazer a capoeira como bem-estar. Quando você começa a fazer a capoeira como esporte, com certeza que você não vai ficar. A capoeira não é um esporte, é muito mais que isso, é muita coisa. Ter que cantar tocando, tocar cantando e depois disso ainda eu tenho que jogar e bater palmas e tocar de novo..!

Se você vê ela como esporte é física para caramba, eu faço outros esportes mas quando eu faço treino de capoeira.. deus do meu céu!

É dura em todos os sentidos. Se vê só como esporte com certeza que você não vai ficar, é espiritual e ela precisa muito da sua energia em vários sentidos.

As pessoas que já estão numa outra busca são essas as pessoas que vão ficar na capoeira, as pessoas que tem essa vontade de ter uma evolução espiritual, a Capoeira ela é o caminho.

One Reply to “Entrevista com a Mestra Nega Uara – Grupo Senzala”

Deixe uma resposta