Entrevista com Mestre Sabiá

Mestre Sabiá

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Chegou na Capoeira da mão do seu irmão maior no ano 1985 e até hoje a sua caminhada foi se transformando.

Dando aula desde o 1989 começou no grupo Abadá e a vida levou ele à criar o grupo Ginga Mundo que agora tem filiais no mundo inteiro.

Presidente da ONG Projeto Mandinga para jovens em Salvador de Bahia, sempre preocupado por seguir aprendendo sem esquecer os fundamentos mais sem se fechar em um olhar só.

Façam click aquí para ouvir a entrevista

Entrevista a Mestre Sabiá, 11 de Março de 2017

Como é que você começou a fazer Capoeira e porquê?

Eu comecei ainda garoto, com 10 – 11 anos de idade. Quem me levou para a Capoeira foi o meu irmão mais velho que se chama Carcará, hoje ele não pratica mais Capoeira, ele reside no Canadá há uns dez ou onze anos. Mas foi o meu grande incentivador para eu fazer Capoeira.
Eu comecei fazer Capoeira porque eu gostava da luta, de artes marciais, eu fazia outra luta chamada Hapkido, uma luta coreana. Ele já fazia Capoeira e me convidou para assistir a uma aula de Capoeira e o que me cativou da Capoeira é toda a informalidade que ela tem. Esse ambiente meio democrático, esse ambiente de camaradagem, de descontração, esse médio que tem um pouco de musica, um pouco de história, um pouco de luta, um pouco de dança… e principalmente o ambiente que girava que era de muito camaradagem e amizade.

Quem é seu Mestre, sempre foi?

Eu comecei Capoeira com o professor Falcão até os 17 anos de idade, depois eu continuei fazendo Capoeira com Mestre Camisa.
Mestre é igual a mãe, a gente só tem um. A gente pode estar brigado, pode ter algum desentendimento, pode ter algumas desilusões, mas Mestre é Mestre. Então o meu Mestre é o Mestre Camisa mesmo si ter optado por fazer uma escolha de caminhos diferentes, uma proposta de trabalho diferente do que ele segue hoje, na minha formação no medio da Capoeira foi o Mestre Camisa.

Você é O Mestre de Ginga Mundo, como foi esse processo de criação do grupo Ginga Mundo?

Tudo processo de transformação é um processo delicado e um processo de aprendizado. Eu fundei o grupo Ginga Mundo em 2004, ele tem 13 anos, e hoje ele exerce i seu aprendizado, a sua formação. É um grupo em construção assim como esse meu processo de Mestria é também um processo de construção. Quando eu fundei o grupo não era um grupo que eu programava de ter fundado.
Eu saí de Abadá Capoeira em 2004, eu não esperava ter saído, mas foi necessário e importante para mim nesse momento por algumas desconstruções, algumas conquistas, algumas coisas que eu acreditava, algumas coisas que não me pereciam mais, então eu considerei necessário construir uma nova escola de Capoeira, uma nova escola de formação. Na verdade a gente tem uma ONG que se chama Projeto Mandinga que é um projeto social e daí surgiu a necessidade de criar uma escola de profissionalização em Capoeira que se chama Ginga Mundo.
Hoje particularmente eu tenho uma, essa coisa de ter um grupo, eu cada vez vou me desvinculando mais dessa coisa de grupo. Eu acho que cada vez eu tento passar para aos meus alunos do nosso grupo é a Capoeira. Que a gente tem algumas crenças, algumas particularidades, que dizem que nos pertencem que são só algumas formas de ver a Capoeira como toda. A Capoeira é muito maior e muito mais forte que qualquer grupo e isso é o que eu tento explicar para eles. Que em algum momento da vida, da história da Capoeira, foi importante que todas as escolas, muitas escolas, fosse necessária essa segmentação para o seu fortalecimento, para algum ponto comercial; eu acho que hoje a Capoeira ela vai despertando essa sensibilidade que é importante de um todo do Capoeira se dando as mãos, respeitando as suas individualidades, respeitar as suas particularidades, respeitar as suas formas de pensamentos diversos mas que ela é importante de estar de mãos juntas. Eu venho fortalecendo isso cada vez mais, fortalecendo esso no meu pensamento e fortalecendo também no pensamento dos meus alunos e que a escola Ginga Munda é uma escola de formação didática nossa mais que a Capoeira é muito maior de qualquer escola, é um universo muito maior. Independente do qual seja o segmento, independente da escola de formação a Capoeira é um tren que vai sair andando e que nois somos apenas passageiros, as escolas são também passageiras e a Capoeira é o unico tren que vai ficar alí. Eu vou desprovindo desses valores que eu não acho tal vez nesse momento do universo, saudáveis nem para a construção do meu trabalho, eu acho que tem valores mais importantes para ser construidos.
A possibilidade da criação, do Projeto Mandinga de dar possibilidades a jovens que não tem, de ter a possibilidade de fazer conhecer as pessoas a Capoeira que é um universo muito maior do que o meu grupo, do que outro grupo do que é Abadá do que é Senzala, Ginga Mundo, Cordão de Ouro, a Capoeira ela é muito mais forte, muito mais rica do isso tudo. Eu continuo torcendo pela Capoeira independente do que qualquer segmento, que Ginga Mundo tenha a clareza que a Capoeira é um universo muito aberto e que a gente consiga respeitar a particularidade de cada grupo, respeitar as nossas particularidades também, e consiga comprender nossa formação respeitando a dos outros também.

Eu gostaria que você falasse de porque, mesmo sendo um grupo que pratica uma Capoeira mais Regional, no evento Vadeia Mundo Vadeia do 2016 você decidiu ter essa diversidade com a presencia dos grandes Mestres mais de Capoeira Angola que tinha de convidados (Mestre João Grande, Mestre Lua Rasta…)

Eu acredito que a minha visão só ela é muito pequena. Eu acho que tem que ter uma visão muito maior do que o meu olhar. 11 anos atrais quando a gente montou o Vadeia, o qualquer outros eventos que eu monto como o Agosto de Capoeira, enfim, qualquer outros eventos que a gente quer montar o incluso essa parceria que nasceu com Red Bull para o Paranauê, eu acredito que a gente tem que potencializar a Capoeira independente do seu segmento. Como é que eu poderia apresentar a Capoeira aos meus alunos si eu apresentasse só o meu olhar, eu não estaria apresentando a Capoeira, eu estaria apresentando o meu olhar.
A primeira coisa que eu faço quando monto o Vadeia o outro evento, primeiro e de dar a oportunidade aos meus alunos de ter um olhar mais amplio, cada um vai ter as suas tendencias não é si eu tenho a tendencia a ser angolero o ser regional… primeiro eu tenho que ser onesto e mostrar que a Capoeira é muito maior que qualquer tendencia. Ela é maior do que a tendencia só de Angola, ela é maior do que a tendencia só de Regional, ela é rica suficiente para não pertenhecer a nenhuma tendencia. Eu acho que a grande riquesa do Vadeia o de qualquer outro evento é de você mostrar a Capoeira de uma forma muito mais nua, de uma forma bem rica, a Capoeira é isso ai tudo, e ainda mais um pouco que a gente ainda não conseguiu ver mais tem que estar por alí.
O segundo é que isso todo se torna um gran laboratorio, esse laboratorio que a gente faz aquí se você não gostasse não tem porque fazer, mais a gente também pode fazer coisas que a gente ainda não viu. É mostrar diversas possibilidades para eles todos. Na verdade eu sempre falo para eles que o Vadeia é um grande laboratorio para minha cabeça, ele é um grande exercicio porque eu vejo muitas coisas que eu demoro muito tempo para processar, muitas coisas são mostradas que eu não vejo naquele momento, é quando eu posso crear um momento para os meus alunos de Capoeira porque a Capoeira não é só um jogo, Capoeira não é só o que o outro joga, a Capoeira é um poquinho do que cada um joga. Qual é o ambiente que eu posso criar para os meus alunos verem a Capoeira, a Capoeira é um ambiente onde tem todos os tipos de Capoeira. Si tem um capoeira que eu acho que joga bem, um capoeira que no meu olhar não chegou mas acho que joga bem… é isso, era a minha preocupação e essa, é ver a Capoeira de uma forma muito mais plural do que o meu olha. Se eu passar despercebido para o meu olhar pode não passar pelo olhar de alguem mais sensivel. É um ambiente de muita descontração, um ambiente muito bacana, um ambiente que marca na cabeça da gente.

Como chegou a oportunidade do projeto Paranauê, e porqué escolheu o nome Paranauê?

A oportunidade me chegou por um convite no telefone. Primeiro perguntando si eu acreditava que seria possível de fazer uma competição de Capoeira, a minha primeira resposta foi que que achava que seria, porque eu já partecipei em competição, quando eu fui Abadá Capoeira eu fui campião dos jogos mas eu não acreditava, não é que não acreditava mas já não curtia dessa coisa da competição. Eu achava que a Capoeira era uma coisa muito rica para você enquadrar ela num perfil só. Eu acreditava mas dentro de um outro formato. E segundo se eu toparia fazer, criar um campionato e de fazer uma competição.
Eu falei que eu toparia si fosse numa proposta diferente e se fosse incluir a Capoeira inteira porque o meu olhar é um olhar sobre a Capoeira e a Capoeira não é o meu olhar. Teria que incluir a Capoeira Angola, a Capoeira Regional, Capoeira de Rua, incluir os olhares mais diversos da Capoeira.
Todo o mundo achou interessante, e também é o legado, o legado que a gente vai deixar um legado de formaçõ, social, um legado para a comunidade que não curte dos campionatos, um legado…

Qual nome? Qual nome a gente vai botar?

E aí demos vários nomes e o nome foi Paranauê porque eu acho que é um nome mais, se você vai perguntar qual é a música mais cantada no mundo da Capoeira é o Paranauê. Se voce perguntar qual é o nome que vai pegar mais alto, um nome legal… vocêis tem que pegar Paranauê! Todo o mundo vai cantar Paranauê, todo o mundo vai falar do Paranauê, um cara pode não saber o que é a Capoeria mais sabe o que é Paranauê. Tem varias mixagems com Paranauê, a gente tinha como pegar uma carona em varias coisas com Paranauê. Ficou um nome que pegava rapido.
Na competição eu nõ estava procurando quem seria o melhor da Capoeira, eu não procurava o melhor, estava procurando o melhor para a Capoeira. A oportunidade é primeiro uma televisão para diferentes paises e isso é interessante, segundo o publico, é um publico joven, um publico interessante que a gente vem perdendo nos ultimos anos. A gente não tem meninos de 14, 15, 16, 17 anos fazendo Capoeira e esse é um publico muito importante. É o publico que daqui a umos anos vai fazer muita diferencia. A gente precisa de uma marca que apoie, que seja formadora de opinião de um publico joven, a gente precisa que se acredite nesse momento na gente e a maior difficultade que eu senti e que se acreditasse na gente, e o maior publico desse era capoeirista, não é que ele não acreditava na gente, não acreditava en ninguém que apoiasse a gente. A gente vive tan desconfiado de tudo e de todos que a gente quase nõ acredita en ninguém mesmo da gente. Aí foi o desafio. Eu acho que foi muio bem mostrado, a gente tinha 16 participantes que eles tiveram uma semana de curso com os Mestres escolhidos que eram pessoas renomadas, pessoas que tinham uma história e eles tiveram uma semana de informação. Eles viraron multiplicadores dessa informação. A gente resgatou algumas tradições tipo o toque da Iuna jogado da forma original, caracterizar com os balões, tocar Iuna sem palmas.

Eu joguei minha vida inteira Iuna batendo palmas e fazendo floreios, fazendo saltos mais eu nunca fiz os balões cinturados então eu achava que era uma oportunidade para uma geração futura e uma oportunidade para a minha geração também. Requalificando o meu trabalho, requalificando a minha geração. Que em verdade todos nós jogamos Iuna dando palma e fazendo mortal mas sem fazer os balões. Eu achava que era o único toque que o Mestre Bimba criou, em verdade os outros vinham da Capoeira antiga eu só deu umas adaptações, o único toque que ele criou foi o único que a gente descaracterizou total e eu achava que era a forma de deixar um legado de informação e de deixar uma adaptação. O toque Jogo de Dentro também era um toque que o Mestre Suassuna tinha feito uma adaptação e fiz o Miudinho e os outros era puro folclore do a gente ouvia que era falado, a maioria. Era uma maneira de trazer o toque de Jogo de Dentro com a característica mais tradicional. E o toque de São Bento de Regional já com uma influencia mais contemporânea.

Era uma maneira de deixar um legado de informação o de abrir a porta para a pesquisa de cada um e procurar a sua verdade mas de qualquer forma abrir uma discussão e de trazer visibilidade numa Capoeira brasileira, numa Capoeira mundial como era jogada. A gente tinha 16 atletas o 16 capoeiristas que tinham características diferentes que era a minha grande preocupação. Eu não queria que a gente tivesse a pobreza de um olhar, de um capoeirista contemporâneo, de uma Capoeira mais estilizada o de um olhar de um capoeirista bem tradicional o de um capoeirista de Angola. A gente queria um olhar da Capoeira diversa, um cara que jogasse Angola, um cara que jogasse contemporâneo, um cara que jogasse tradicional.. e a gente teve os 16 de uma mescla da Capoeira brasileira. Um cara que apresentava a Capoeira de São Paolo, um cara que apresentava a Capoeira de Rio de Janeiro, a gente tinha uma diversidade na Capoeira e que não venceu o melhor nem que venceu o pior a gente teve uma media. E eu fiquei muito satisfeito com a media porque o que eu queria na verdade era uma media e alguém que apresentasse bem que verbalizasse bem, que pudesse falar nas entrevistas bem, ele saiu nus maiores médios de comunicação do Brasil, onde nunca deram a oportunidade para a Capoeira aparecer. Sempre só com notícias ruins, o capoeirista vai preso, o capoeirista pobre, o capoeirista pede… a gente deu notícias de um capoeirista campeão de um capoeirista vencedor. Não é que ele fosse o melhor do mundo porque o melhor do mundo se torna pequeno mas ele saiu com a história do vencedor. A gente precisa reproduzir a história de um capoeirista bem sucedido, chegam as notícias dos capoeiristas morrendo de fome, do capoeirista como pobre coitado, eu achava que a gente merece a história de um capoeirista campeão. Um campeão que quer aprender da história da Capoeira, a gente tinha empresários assistindo, o capoeirista, a gente tinha políticos assistindo a Capoeira. Mesmo si eles não queriam assistir a Capoeira mas o patrocinador que era a Red Bull, mas ele estava aí.
A gente tinha 3,500 pessoas no sol quente assistindo a Capoeira, a gente conseguiu criar um modelo novo que não é o modelo bem sucedido, que não é o modelo correto mais é um modelo diferente. E que possam surgir modelos melhores ainda que esse, lógico que vão existir. Mas precisava nesse momento de existir algum modelo diferente que eu achei que foi bacana.
Foi importante, que não é o melhor nem o pior mas é um diferente. E eu acho que vai vir outros modelos diferentes. Porque a Capoeira não merece a mediocridade, a Capoeira por natureza ela já é usada, ela merece a osadia de tentar coisas diferentes, de tentar coisas originais. Ela tem uma história vencedora, uma manifestação de origem escravo conquistou o mundo mais de 60 países, grande divulgadora da língua portuguesa, nas universidades, na escola, um processo universal social muito grande, uma criança que sai das favelas e que hoje ensinam nas universidades do mundo inteiro. Ela tem uma história muito mais bonita para ser contada do que para aparecer com cara de pobrezinho, pedindo, essa cara já não cabe mais na Capoeira.
Eu acho que a história do Red Bull Paranauê é uma história vencedora mas que não é a história final. Outras grandes histórias abrem as perspectivas para outras empresas. A Capoeira não é esporte, não só, ela é cultura, é esporte, é o olhar de cada um; para um é isso, para o outro é aquilo.. e ela não se define no olhar de ninguém porque ela é rica suficiente para não ser aprisionada em nehum olhar.

Quales foram os Mestres que deram o curso da semana antes do Paranauê?

Mestre João Grande, Mestre Jogo de Dentro, Mestre Capixaba, Mestre Paulinho sabiá, Mestre Nenel, que derom os cursos foram esses. Mestre Itapuã estava lá também, Mestre Virgílio… mais todos eles estiveram lá, Jair Moura deu uma palestra também. Eu procurei dar uma forma histórica, os campeonatos não começarom com a gente, começarom no século 19, na década de 1930 quando quando o Mestre Bimba separa a Capoeira regional e vem uma história que eu mesmo não sabia mas procurei estudar de qué forma como é que eu entraria nesso. Eu não entraria nesso de uma forma financera, nem o faria em uma forma de glamour, em que ter um conceito histórico em tudo esso. Jair Moura que é uma figura super conceituada para mim dar o meu respeito o maior, além do estudo, de pesquisa, vamos fazer um trabalho de pesquisa. Esiste um lado que o mundo mudou, o mundo não é como era no 1930, a gente ta em 2017 como é que o joven ve, como é que a televisão ve, como é que a Red Bull ve, tem muita coisa para me ensinar também. A final de contas eles são uma empresa já bem sucedida que tem grandes programas, o que é que eles tem para me trazer também, o que é que eu vou aprender com eles, cual é o olhar deles sobre isso, e qual é o olhar que eu não posso perder de história, de tradição porque eles tem capoeira, tem skate, tem surf, tem basquet, tem Formula 1… eu só tenho Capoeira então eu não posso me perder nessa estructura, essa é a minha raiz, a Capoeira.
Andar para o futuro mas sem perder o pé na tradição. O que é que não é tradição? Ela começa no 1909, no 1930, como e isso e aí vem a história do uniforme, que a gente não vai ter uniforme nenhum, não é levar a Capoeira do grupo o um interesse de grupo. É a Capoeira, quem é o capoeirista que ganhou? É um capoeirista, se ele quiser pode falar do Mestre dele, e se ele quiser vai falar do grupo dele, da escola dele mas se não quiser ele só vai falar dele. Vamos voltar na Capoeira mais primitiva de uma forma mais moderna, lógico que hoje ninguém se veste de paletó e gravata nem com um tênis branco de linho mais nego se veste de repente com a roupa moderna e eles vão com a roupa moderna, com eles acham que é bonito como os antigos se achavam que era bonito só que o bonito de hoje é diferente. Ninguém usa mais tênis de linho, eles vão usar uma roupa mais moderna e eles vão se apresentar da forma que eles acham que é bonito. Como se um cara se sente e se acha mais bonito sem camisa é a visão deles. A gente hoje passa também por esse processo, a sedução de estar sem camisa o cara só de repente um patrocinador a sedução de um patrocinador, fala assim é a noção do patrocinador, o patrocinador querendo patrocinar esse cara e vai agora com a minha marca, eu vou pagar tantos-mil reais… a Capoeira também pode exigir esse patamar, porquê todas as atividades esportivas exigiram isso? Porquê a Capoeira não? Porquê esse preconceito para a Capoeira não? Porque a gente tem tantos ídolos no skate, no surf, na Formula 1, no MMA, e porquê na Capoeira a gente não tem os nossos ídolos? Porquê os nossos ídolos tem que morrer com a gente pedindo dinheiro para enterrar ele?

Chegou a era em que a Capoeira chegou em mais de 160 países, é divulgadora da língua portuguesa, mais a gente não pode ficar pedindo dinheiro para enterrar os nossos ídolos. Não é compatível com a realidade que a Capoeira conseguiu, a história que ela tem de vencedor não é compatível com enterrar os ídolos vencedores. Eu acho que a gente pode ter uma história mais ousada, nada que agreda que não é isso o que vai transformar a Capoeira em um esporte, Capoeira é cultura, ela tem um processo de diversão social muito grande, de um menino que sai de uma comunidade ele vem até Europa dar aula para a filha da Princesa, com o filho do Michael Schumacher, um menino que vem de origem humilde! Eles tem valores fortes mas eles precisam ter estruturas fortes, e essa estrutura forte a gente tem que aprender a construir. A gente não precisa ter só o discurso forte, a gente precisa estar fortalecido de fato.
Não tem nada de errado na gente receber um apoio, um patrocínio, o que acho errado e a gente não saber construir a nossa estrutura bacana, não esclarecer os nossos jovens, não esclarecer nossos Mestres. A história dos nossos Mestres antigos não são mais os nossos Mestres recentes. Eu acho que esse processo de internacionalização da Capoeira, de a Capoeira estar se expandindo a gente tem uma grande responsabilidade nisso porque a gente vai dando um outro olhar, vai madurecendo Mestre João Grande ele tem 85 e ele continua viajando e trabalhando de uma forma muito clara e continua sendo uma pessoa prestativa, continua ganhando o seu dinheiro. Isso é muito bacana mas ao mesmo tempo não são todos que vão seguir trabalhando até os 85 anos. Foi uma pergunta que o pessoal da Red Bull me fiz: quem são os ídolos de vocês? A gente no skate tem ídolos com todo o mundo que pega autógrafos, as crianças pedem autógrafos no cara do skate, no cara do surf e de vocês na Capoeira todo o mundo pede? Algumos pedem mas ninguém fica parado na rua e eu cheguei em casa muito incomodado com isso. Porque é real, a gente tem que transformar os nossos ídolos de formas mais solidas.

Nós temos mas o final dos nossos ídolos é bem triste e o mundo já mudou mas a gente continua tendo um final triste. As vezes nosso discurso fica sendo contraditório né, tava na hora da gente, não que esse seja o formato, mas o formato de fim não está certo desso tenho certeza. Formato de como chegar até, o meio de como a gente pode mudar, eu tenho certeza que a gente tem que mudar. A gente tem que encontrar um caminho bacana porque o fim não é saudável. A academia do Mestre Pastinha se chamava Centro Esportivo de Capoeira Angola e o Mestre Pastinha não deixava de ser cultural, ele botou esse nome porque era um nome importante para ele encontrar um acesso, encontrar a forma que ele botava a academia a calça preta e amarela com a coisa do Ipiranga, o team de esporte, mas ele nunca diz que era jogador de futebol. Era uma paixão dele mas era cultural total, a Capoeira dele era cultura, representava toda uma história, ancestralidade…
Eu acho que tem que ver o que cada um representa, o Mestre Bimba ele não conseguiria o que ele conseguiu se ele não abrisse a Capoeira para os estudantes, para a universidade, toda a sociedade do nordeste da Amaralina ele não queria só fazer, ele queria na verdade que a sociedade conhecesse a cultura negra, queria que a sociedade conhecesse a comunidade, como era, ele tinha um objetivo muito maior porque se ele ficasse com um pensamento curto ele não ia conseguir um salto tão grande para a Capoeira.
A gente tem que ser pensamentos ousados, saltos grandes e com pé no chão.

Qual seria a sua dica para um cara que está começando na Capoeira?

Faça Capoeira, se jogue o pratique por inteiro, não procure entrar muito em todas essa politicas que involvem a Capoeira, procure ver a parte boa que a Capoeira tem. A Capoeira ela é muito rica, muito complexa, vai pelas partes mais simples, pelas partes mais agradaveis, por o que lhe seduiç na Capoeira. Se é a música vai por ela, se é a parte do jogo vai por ela, pratique a Capoeira que mais lhe faç bem se é o Mestre Fulano que lhe faç bem e você gosta de jogar com ele, pratique com ele; se é a Capoeira de Angola que le faç bem e você gosta de jogar vai para a Angola; se é a Regional vai para a Regional… precise facilitar porque o ser humano dificulta tanto, cria tanta politica, cria tanta dificuldade e a Capoeira é tan simples, na verdade toda dificuldade que tem é nossa.

Qual é seu nome? Qual é o seu apelido e porqué foi dado?

Meu nome é Jair Oliveira de Faria Junior, o meu apelido é Sabiá e foi dado porque eu começei na Capoeira depois do meu irmão e ele era chamado Carcará. Eu era magrinho, pequeninho, tinha as perninhas magrinhas e colou Sabiá. Eu nem cantava bem, até hoje eu não canto e aí ficou Sabiá. Até hoje, até minha mãe me chama de Sabiá, ninguém mais me chama pelo meu nome.

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